Mídia kit é um documento comercial que apresenta um creator, veículo ou projeto para marcas e parceiros. Ele organiza posicionamento, audiência, formatos, métricas, cases e informações de contato para facilitar uma decisão de parceria.
Para creators, o mídia kit ajuda a profissionalizar a apresentação. Para marcas e agências, ele é um ponto de partida — não uma auditoria completa. Dados precisam ser contextualizados e, em campanhas relevantes, validados.
O que um mídia kit precisa responder
Quem é o creator? Que tipo de conteúdo produz? Quem acompanha? Quais formatos estão disponíveis? Que resultados já entregou? Como entrar em contato?
Se o documento não responde essas perguntas com clareza, o design sozinho não resolve.
Se você é creator e está montando o seu próprio material comercial, veja também nosso guia completo sobre
como fazer um mídia kit para influenciador, com estrutura, métricas, preços, cases e exemplos do que incluir.
1. Apresentação e posicionamento
Inclua uma bio curta, temas principais e proposta de conteúdo. Evite textos longos sobre trajetória quando o comprador precisa entender rapidamente o território.
O posicionamento ajuda a marca a avaliar creator fit.
2. Plataformas e tamanho da comunidade
Liste canais relevantes e seguidores atuais. Data de atualização é importante porque os números mudam.
Também mostre quais formatos são mais fortes em cada plataforma.
3. Dados de audiência
Quando disponíveis, inclua geografia, idade e gênero, além de outros recortes relevantes. Para campanhas regionais, localização pode ser mais importante que o total de seguidores.
Evite gráficos sem fonte ou período.
4. Métricas de conteúdo
Apresente médias ou medianas de visualização, alcance e engajamento com período definido. Usar apenas o conteúdo viral mais forte cria uma expectativa distorcida.
Marcas precisam comparar formatos semelhantes.
5. Portfólio e cases
Mostre marcas, exemplos de entrega e, quando permitido, resultados. Um case curto com objetivo, formato e resultado é mais útil que uma parede de logos.
Se houver NDA, descreva a categoria sem revelar informação confidencial.
6. Formatos comerciais
Explique o que pode ser contratado: Reels, TikTok, Stories, live, presença em evento, UGC, licenciamento ou pacotes.
Não misture publicação com direito de uso. São entregas diferentes.
7. Preços: colocar ou não?
Creators podem incluir valores de referência ou informar que orçamento depende de briefing. Preço pode variar por direitos, exclusividade, prazo e complexidade.
O conteúdo
quanto custa contratar influenciador explica os fatores que alteram fee.
8. Direitos de uso e mídia
Se a marca quer transformar o conteúdo em anúncio, precisa negociar prazo e uso de imagem. Isso é central em
Creator Ads e
Partnership Ads.
O mídia kit pode indicar disponibilidade, mas o contrato deve detalhar condições.
9. Contato profissional
Inclua e-mail, representante ou agência quando houver. Facilite a próxima ação.
Evite depender apenas de DM, especialmente para campanhas com prazo.
Como marcas devem avaliar um mídia kit
Use o documento para triagem, depois valide informações relevantes. Observe coerência entre dados e conteúdo real, qualidade dos comentários, frequência e histórico de publicidade.
O guia
como escolher influenciadores apresenta um processo de avaliação mais completo.
Red flags
- métricas sem período;
- prints antigos;
- apenas números de seguidores;
- valores sem explicar entregas;
- cases sem contexto;
- dados de audiência incompatíveis com o conteúdo;
- ausência de contato profissional.
Mídia kit para UGC Creator
UGC creators podem apresentar portfólio, nichos, estilos de vídeo, equipamentos, prazos e direitos. Audiência própria pode ser secundária quando a entrega não inclui publicação.
Veja
UGC Creator para entender diferenças.
Como manter atualizado
Revise trimestralmente ou após mudanças relevantes. Atualize métricas, cases, formatos e contato. Use uma versão leve para envio por e-mail e mantenha links funcionando.
O papel de agências e representantes
Agências podem ajudar a traduzir briefing, negociar e organizar entregas. A
Continuum atua com campanhas de influenciadores conectando marcas e creators.
Para a marca, o mídia kit é o começo da conversa. A decisão final deve considerar fit, dados, conteúdo, segurança e condições comerciais.
Estrutura recomendada de um mídia kit
Uma ordem simples ajuda a leitura: capa com nome e posicionamento, bio, canais, dados de audiência, métricas, formatos, cases e contato. O documento não precisa ter dezenas de páginas; precisa permitir que uma marca encontre informação rápido.
Use títulos objetivos e explique a fonte dos números. Se a métrica é média dos últimos 30 dias, diga isso. Se é mediana dos últimos dez vídeos, registre o critério.
Como apresentar métricas sem criar expectativa falsa
Evite somar seguidores de plataformas como se fossem pessoas únicas. Um usuário pode acompanhar o creator em várias redes. Também não apresente alcance potencial como entrega garantida.
Prefira intervalos e médias contextualizadas. Em formatos voláteis como vídeos curtos, medianas podem representar melhor a entrega típica que uma média puxada por um viral.
Como mostrar dados de audiência
Inclua prints ou gráficos recentes e identifique a plataforma. Localização, idade e gênero podem ajudar, mas escolha o que é relevante para parceiros. Em nichos B2B, cargo e setor podem ser mais importantes quando existem dados confiáveis.
Não invente recortes que a plataforma não fornece. Se um dado não está disponível, é melhor informar isso.
Cases: transforme entrega em narrativa curta
Um bom case responde quatro pontos: desafio, ideia, execução e resultado. A marca não precisa de texto longo. Uma página com contexto e dois ou três indicadores pode demonstrar profissionalismo.
Quando resultado comercial não é compartilhado, use métricas de conteúdo e descreva o objetivo. Nunca atribua vendas ao creator sem método de mensuração.
Como apresentar valores e pacotes
Se optar por colocar preços, deixe claro o que está incluído: quantidade de conteúdos, plataforma, prazo de publicação, exclusividade e direitos. “Reel por R$ X” sem condição pode gerar comparação injusta.
Pacotes podem facilitar compra, mas preserve flexibilidade para projetos especiais. Marcas frequentemente pedem combinações que não cabem em uma tabela fixa.
Versão para creators iniciantes
Quem ainda não tem grandes cases pode focar em qualidade do conteúdo, nicho, consistência, audiência e portfólio. Trabalhos autorais ou especulativos podem demonstrar habilidade, desde que não sejam apresentados como campanha contratada.
UGC creators podem criar exemplos de vídeo para categorias que dominam, deixando claro que são amostras.
Versão para creators representados
Quando existe agência ou manager, o mídia kit pode incluir contato comercial e simplificar negociação. A representação também pode centralizar histórico, disponibilidade e direitos.
Evite versões diferentes circulando com preços conflitantes. Mantenha um documento oficial e data de atualização.
Como uma agência avalia centenas de mídia kits
Triagem começa por fit de campanha. Depois entram audiência, conteúdo, histórico, custo e disponibilidade. Documentos claros aceleram essa análise, mas o perfil real sempre é revisado.
Por isso, o mídia kit deve facilitar verificação. Links clicáveis, nomes de usuário corretos e dados legíveis são mais valiosos que efeitos gráficos pesados.
Design: legibilidade antes de estética
Use tipografia legível, contraste e gráficos simples. Evite fundos que dificultam leitura e números pequenos. O arquivo precisa funcionar no celular, porque muitos compradores abrem o PDF em mensagens ou e-mail.
Otimize o tamanho do arquivo para envio. Vídeos podem entrar por links, não incorporados.
Perguntas frequentes sobre mídia kit
Mídia kit e portfólio são a mesma coisa?
Não exatamente. O mídia kit combina apresentação comercial e dados; portfólio enfatiza exemplos de trabalho. Eles podem estar no mesmo PDF.
Preciso mostrar preço?
Não. É possível trabalhar orçamento sob demanda, especialmente quando direitos e escopo variam.
Quantas páginas deve ter?
O suficiente para apresentar a informação sem repetição. Creators individuais frequentemente conseguem ser claros em poucas páginas.
Com que frequência atualizar?
Quando métricas e cases mudarem de forma relevante; uma revisão trimestral é um bom ponto de partida.
Checklist antes de enviar
- nome e posicionamento claros;
- canais com links corretos;
- métricas com período;
- dados de audiência atualizados;
- formatos comerciais;
- cases ou exemplos;
- condições e direitos quando aplicável;
- contato profissional;
- arquivo leve e legível no celular.
Um mídia kit bom não fecha parceria sozinho, mas reduz fricção e mostra que o creator entende a relação comercial. Para marcas, ele é um insumo de seleção — nunca substitui análise de creator fit e dados reais.
Como criar uma versão viva do mídia kit
Além do PDF, creators podem manter uma página ou apresentação online com dados atualizados. Isso facilita troca de cases e links sem redistribuir arquivos antigos. Ainda assim, salve versões quando uma negociação exigir referência ao material enviado.
O documento vivo deve preservar data de atualização para que a marca saiba o quão recentes são os números.
Como usar o mídia kit em uma negociação
Envie o material junto de uma mensagem curta conectando o creator ao briefing. O comprador não deveria precisar descobrir sozinho por que aquele perfil faz sentido. Destaque dois ou três pontos relevantes para a campanha.
Depois do interesse, confirme escopo, prazo, direitos, exclusividade e pagamento por escrito. O mídia kit apresenta; o contrato organiza a relação.
Dados que não precisam entrar no documento
Evite informações pessoais desnecessárias, documentos, endereço residencial ou detalhes que não ajudam a contratação. O mídia kit é comercial e pode circular entre equipes.
Proteja também informações confidenciais de marcas anteriores. Cases só devem revelar dados autorizados.
Uma última revisão deve confirmar ortografia, datas, links e consistência de valores. Pequenos erros em um material comercial podem gerar dúvida sobre a organização do creator.
Use o mídia kit para acelerar, não complicar
O melhor documento reduz perguntas básicas e abre espaço para discutir estratégia, escopo e criação. Se a marca precisa pedir dados essenciais em outra conversa, o material pode ser simplificado e reorganizado.