Mídia kit é o documento que um criador de conteúdo usa para se “vender” para marcas — bio, dados de audiência, taxa de engajamento, cases anteriores e tabela de preços, tudo em um só lugar. Sem ele, cada negociação começa do zero, trocando print de insight por WhatsApp. Com ele, a marca decide mais rápido e a conversa já nasce em outro nível de profissionalismo.
Se você trabalha em uma marca ou agência e precisa analisar propostas de creators, veja também nosso guia sobre como avaliar um mídia kit de influenciador, com critérios para audiência, métricas, preços, cases e direitos de uso.
O que é um mídia kit (e por que toda marca pede um)
Do lado da marca, um mídia kit é o jeito mais rápido de comparar criadores lado a lado: quem realmente encaixa no público, quanto custa e o que já entregou antes. Do lado do criador, é a diferença entre negociar um valor com base em dados e negociar “no feeling” — o que quase sempre puxa o preço para baixo.
Times de marketing e agências recebem dezenas de propostas por semana. Quem manda um PDF ou uma página organizada, com número real de audiência e exemplos de campanha, entra na frente de quem manda só um link de perfil e um “quanto você cobra?”.
Os elementos que não podem faltar
1. Bio e posicionamento
Um parágrafo curto dizendo quem você é, sobre o que fala e para quem fala. Marcas não têm tempo de descobrir seu nicho navegando pelo feed — isso precisa estar explícito na primeira página.
2. Dados de audiência por rede
Número de seguidores em cada plataforma (Instagram, TikTok, YouTube, etc.), mas principalmente a composição dessa audiência: faixa etária predominante, gênero, as 3-5 cidades ou estados com mais seguidores. Esses dados saem direto do painel de insights de cada rede — print de tela é aceitável, desde que atualizado (dados com mais de 3 meses pesam contra você).
3. Taxa de engajamento
Mais importante que o número absoluto de seguidores. Calcule como (curtidas + comentários) ÷ seguidores × 100, usando a média dos últimos 10-15 posts, não só o melhor resultado que você já teve. Uma taxa de engajamento honesta e consistente convence mais do que um pico isolado.
4. Cases e resultados anteriores
Prints de campanhas já feitas com números reais: alcance, cliques, cupons usados, ou pelo menos o print do comentário da marca elogiando o resultado. Se você está começando e ainda não tem case pago, use um exemplo de conteúdo orgânico bem-sucedido no mesmo formato que pretende vender.
5. Tabela de preços
Nem todo criador gosta de deixar valor fixo no mídia kit (alguns preferem negociar caso a caso), mas ter uma faixa de referência por formato — post no feed, Reels, Stories, vídeo dedicado no TikTok — acelera muito a negociação e filtra marcas fora do seu orçamento antes de perder tempo com idas e vindas.
6. Contato e forma de fechamento
E-mail comercial (evite deixar só o WhatsApp pessoal), e se você trabalha com agência ou assessoria, deixe isso claro — muita marca prefere negociar direto com quem representa o criador.
Estrutura recomendada (ordem que funciona)
- Capa: seu nome/marca pessoal, foto e uma frase de posicionamento.
- Sobre você: bio curta e o que te diferencia no nicho.
- Audiência: números e demografia por rede.
- Conteúdo: 3-5 exemplos dos seus melhores formatos.
- Resultados: cases anteriores com dados.
- Investimento: tabela de preços por formato.
- Contato: e-mail e próximos passos.
Mantenha entre 6 e 10 páginas (ou slides). Mídia kit muito longo cansa quem está decidindo entre vários criadores ao mesmo tempo.
Como adaptar o mídia kit ao seu porte de audiência
A forma de vender o mídia kit muda conforme a faixa de seguidores — o que pesa mais na negociação também muda:
- Nano e micro-influenciadores: o argumento central é taxa de engajamento e proximidade real com a audiência, não volume. Capriche nos prints de comentários genuínos.
- Influenciadores de médio porte e macro: marcas vão pedir prova de autenticidade além do print de insights — vale antecipar isso incluindo uma nota sobre verificação de audiência no próprio mídia kit.
- Mega-influenciadores: o mídia kit costuma ser preparado por uma assessoria ou agência, com foco em branding e cases de campanhas de awareness, não performance.
Para faixas de preço de referência por categoria de audiência, veja nosso guia completo sobre como marcas escolhem e avaliam criadores antes de fechar.
Erros mais comuns no mídia kit
- Usar prints de insights antigos ou de um único post “fora da curva” em vez da média real.
- Não incluir taxa de engajamento — só seguidores — o que faz o criador parecer mais caro do que o valor que entrega.
- PDF gigante, com dezenas de páginas, quando 6-10 já bastam.
- Não atualizar o mídia kit depois de uma mudança relevante de audiência (perfil que cresceu ou mudou de nicho).
- Deixar de fora exemplos de conteúdo pago anterior, mesmo quando o resultado foi bom — a marca precisa ver que você já sabe entregar uma publi, não só conteúdo orgânico.
Checklist antes de enviar seu mídia kit
- Os dados de audiência têm menos de 3 meses?
- A taxa de engajamento está calculada pela média de vários posts, não pelo melhor resultado isolado?
- Tem pelo menos um case ou exemplo de conteúdo pago anterior?
- A tabela de preços (ou faixa de referência) está clara por formato?
- O documento tem no máximo 10 páginas e um contato comercial direto?
Glossário rápido
- Mídia kit — documento (PDF, apresentação ou página) que reúne bio, dados de audiência, engajamento, cases e preços de um criador de conteúdo para negociar com marcas.
- Taxa de engajamento (ER) — proporção entre interações (curtidas, comentários, compartilhamentos) e o total de seguidores ou de alcance de um post.
- Insights — painel de dados demográficos e de desempenho disponibilizado nativamente por Instagram, TikTok e outras redes ao próprio criador.
- Rate card — outro nome para a tabela de preços por formato de conteúdo dentro do mídia kit.
- Case — exemplo documentado de uma campanha anterior, com resultado numérico, usado como prova social no mídia kit.
Perguntas frequentes
Mídia kit precisa ser em PDF?
Não necessariamente — PDF é o formato mais comum porque é fácil de enviar por e-mail e mantém o layout fixo, mas uma página no Linktree, um site pessoal ou até uma apresentação em Google Slides compartilhável também funcionam, desde que tragam os mesmos elementos essenciais.
Preciso colocar preço fixo no mídia kit?
Não é obrigatório. Muitos criadores preferem deixar uma faixa de referência por formato e negociar o valor exato caso a caso, dependendo de exclusividade, direitos de uso e prazo da campanha.
Com que frequência devo atualizar meu mídia kit?
O ideal é revisar a cada 2-3 meses, ou sempre que houver uma mudança relevante de audiência, um novo case importante ou reajuste de preço.
Mídia kit funciona para quem está começando, sem cases pagos ainda?
Sim — substitua a seção de cases por exemplos de conteúdo orgânico com bom desempenho, e seja transparente sobre estar abrindo espaço para as primeiras parcerias pagas. Muitas marcas buscam justamente criadores em início de carreira, com custo menor.
Quer ajuda para avaliar mídia kits e fechar a parceria certa?
Cuidamos de casting, negociação e verificação de autenticidade antes de qualquer contrato ser fechado — fale com a Continuum no WhatsApp e conte que tipo de campanha você está planejando.